O filme grego “Miss Violence”, dirigido por Alexandros Avranas, estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de setembro. Com roteiro assinado por Avranas e Kostas Peroulis, o longa se destacou em mostras internacionais e conquistou vários prêmios relevantes.
Entre os principais reconhecimentos, o longa recebeu o Leão de Prata de direção no Festival de Veneza. O ator Themis Panou conquistou o prêmio Copa Volpi de melhor ator. Além disso, o filme venceu o prêmio Feodora de melhor obra na mostra competitiva e também foi contemplado com o Young Cinema, consolidando seu sucesso no cenário europeu.
Enredo discute estrutura familiar e silêncio como forma de violência
A trama se inicia com Angeliki, uma menina de 11 anos, que pula da sacada no dia do seu aniversário, sorrindo. A polícia e o serviço social investigam as circunstâncias da morte. No entanto, a família insiste que tudo foi um acidente.
Enquanto as autoridades tentam esclarecer o caso, os familiares demonstram resistência em colaborar. Essa postura levanta dúvidas sobre o que realmente aconteceu. Assim, o espectador acompanha a busca por respostas, sempre cercada por silêncio e tensão.
Portanto, a narrativa centraliza-se no mistério: qual segredo Angeliki guardava? E por que sua família parece empenhada em enterrá-lo junto com ela?
Diretor provoca debate sobre relações de poder
Em suas declarações, Avranas afirma que Angeliki simboliza inúmeras crianças submetidas a regras rígidas. Segundo o diretor, essas crianças vivem sob estruturas familiares opressoras que perpetuam manipulações e abusos.
“Essa menina é o símbolo de muitas outras crianças que têm de se submeter às regras de uma sociedade implacável”, explicou Avranas. Para ele, o filme propõe uma reflexão sobre a origem e o funcionamento do poder dentro da família.
Além disso, o cineasta levanta uma pergunta: “Quem tem o poder: a pessoa que ataca ou a que sente a dor?” Ele também destaca que “a violência mais dura é a do silêncio. Do não dito. Da regularidade que encobre todo vazio emocional criado pelo exercício do poder”.
Carreira de Avranas ganha força no circuito internacional
Antes de “Miss Violence”, Alexandros Avranas dirigiu “Whitout”, seu primeiro longa-metragem. Com esse trabalho, ele venceu sete prêmios no 49º Festival Internacional de Cinema de Thessaloniki, na Grécia, e recebeu indicação no Festival Internacional de Cinema de Milão.
Em seguida, com “Miss Violence”, Avranas consolidou sua presença no circuito internacional. O filme conquistou reconhecimento também no Festival de Cinema Helênico, no Festival de Montreal e no Festival de Estocolmo.
Com esses resultados, o diretor passou a integrar uma nova geração de cineastas gregos que têm chamado atenção fora da Europa. A força temática de seus filmes e a abordagem sobre questões sociais contribuem para esse destaque.
Estreia brasileira amplia o acesso ao cinema grego contemporâneo
A chegada de “Miss Violence” aos cinemas brasileiros marca um movimento de ampliação do acesso ao cinema grego contemporâneo. Embora ainda pouco presente nas salas comerciais do país, esse tipo de produção tem ganhado espaço entre o público interessado em obras que abordam temas sociais profundos.
Com estreia programada para 25 de setembro, o filme oferece uma narrativa provocadora e direta. A obra convida o público a refletir sobre como o silêncio pode sustentar estruturas de dominação e dor.
Por fim, a estreia também simboliza um passo importante para a circulação de filmes que desafiam padrões tradicionais, estimulando o debate sobre temas sensíveis e muitas vezes negligenciados.































