O Festival de Cannes anunciou neste sábado, 24 de maio, que o ator brasileiro Wagner Moura venceu o prêmio de Melhor Ator por sua atuação no filme “O Agente Secreto”. O projeto nacional, dirigido por Kleber Mendonça Filho, estreou no festival no domingo anterior, 18 de maio, e emocionou o público com 13 minutos de aplausos.
Além de Wagner Moura, o elenco reúne Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Udo Kier, Thomas Aquino, Hermila Guedes, Isabel Zuaa e Alice Carvalho. Apesar da conquista, Moura não participou da cerimônia, pois segue envolvido nas gravações de outro projeto.
Enredo de ‘O Agente Secreto’
O longa conta a história de um professor especialista em tecnologia na década de 1970. Ele decide voltar para Recife, sua cidade natal, mas logo percebe que enfrenta uma rede de espionagem. Dessa forma, a trama mistura suspense e política em um cenário nacional.
Kleber Mendonça Filho, também conhecido por ‘Bacurau’, dirige e roteiriza o projeto. Assim, a parceria com Wagner Moura elevou as expectativas e colocou o filme como forte candidato ao Palma de Ouro, principal prêmio do festival.
Apoio estatal e Lei do Audiovisual
O sucesso de ‘O Agente Secreto’ não surgiu apenas por mérito artístico. O filme contou com financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), vinculado à Agência Nacional do Cinema (Ancine) e ao Ministério da Cultura (MinC). Esse fundo integra a chamada Lei do Audiovisual, que permite que empresas direcionem parte dos impostos para produções culturais.
Vanessa Pires, CEO da Brada, startup que atua em investimentos de impacto positivo, explica: “De forma resumida, a Lei do Audiovisual é uma forma de o governo apoiar a produção de filmes, séries e outros conteúdos no Brasil”.
Coprodução internacional fortalece o cinema
Além do apoio brasileiro, ‘O Agente Secreto’ envolveu coprodução com Alemanha, França e Holanda, criando uma rede internacional de colaboração. Por isso, o financiamento externo somado aos incentivos fiscais brasileiros demonstrou a importância das parcerias para a realização de grandes projetos.
Empresas como produtoras, emissoras de TV e operadoras de telecomunicações contribuem obrigatoriamente para o FSA, por meio de taxas como CONDECICE e FISTEL. Esse modelo fortalece o mercado, gera empregos e movimenta a economia criativa, garantindo a continuidade da produção cultural.
Benefícios da Lei do Audiovisual
Os benefícios da Lei do Audiovisual vão muito além do dinheiro. Além de financiar projetos, os recursos ajudam a profissionalizar equipes, a criar empregos e a fortalecer a identidade cultural do país. Vanessa destaca: “Os incentivos fiscais funcionam como um verdadeiro motor para o cinema brasileiro”. Ela ainda reforça a importância de contar com parceiros mediadores que orientem empresas e produtores para aproveitar essas oportunidades.
Assim, a atuação conjunta entre governo, setor privado e profissionais da cultura não apenas garante a execução de filmes como ‘O Agente Secreto’, mas também amplia o reconhecimento do cinema nacional no exterior.
Perspectivas para o Oscar 2026
Com a aclamação em Cannes, as chances de ‘O Agente Secreto’ disputar o Oscar 2026 aumentam significativamente. Vale lembrar que filmes apoiados pela Lei do Audiovisual, como ‘Central do Brasil’ e ‘O Auto da Compadecida’, também ganharam projeção internacional. Por isso, o sucesso atual pode abrir portas importantes para o cinema brasileiro nos próximos anos, consolidando ainda mais a presença do país em premiações globais.

































