O Cordão da Bola Preta abriu oficialmente o carnaval de rua do Rio de Janeiro em 2019. O desfile ocorreu no sábado, 2 de fevereiro, e reuniu centenas de milhares de foliões no centro da cidade. Com 101 anos de história, o bloco manteve sua tradição e atraiu público diverso.
Nos microfones, o presidente do bloco, Pedro Ernesto Marinho, destacou a importância do momento. “A energia é a mesma do início da criação da agremiação, lá atrás”. Em seguida, incentivou a multidão. “Brinquem, brinquem muito. Pulem, se divirtam, beijem na boca, façam amor, mas não esqueçam de usar camisinha. Sejam felizes, mas acima de tudo respeitem as mulheres. E lembrem-se sempre: não é não!”.
Paolla Oliveira reinou no carro de som
A atriz Paolla Oliveira desfilou como rainha do bloco. Ao seu lado estavam Leandra Leal, porta-estandarte, e a madrinha Maria Rita. As três puxaram a Marcha do Cordão da Bola Preta, acompanhadas pelo coro dos foliões. Em determinado momento, Paolla deixou o carro de som para cantar e sambar junto ao público, atendendo aos chamados da marchinha.
Foliões de todas as idades marcaram presença
Entre os foliões, estavam crianças, jovens e idosos. Adriano Pereira Pinto, de 7 anos, morador de Niterói, resumiu sua empolgação. “Carnaval é alegria, felicidade. Eu gosto do carnaval, das cores, fantasia! Eu amo fantasia, principalmente as de [super] heróis”.
Já Rosângela Pereira, de 69 anos, relatou sua rotina anual. “Todo ano eu estou aqui! Este é o único bloco que eu participo, e já o faço há mais de dez anos. Mas eu espero que o carnaval melhore; hoje o bloco está mais restrito, e o cordão [de isolamento] deixa a gente mais longe do som”.
Diversidade no público e múltiplos propósitos
O Cordão da Bola Preta também refletiu pluralidade. Jadiel Lima dos Santos, de 26 anos, viajou de Indaiatuba, em São Paulo, para aproveitar a festa e, ao mesmo tempo, trabalhar. “Enquanto a maioria apenas brinca, a gente se diverte; mas também aproveita para ganhar uns trocados. Nós viemos em três, e catamos lata durante os cinco dias de carnaval no Rio”.
Já Marcelo Marinho, de 38 anos, professor de artes marciais e morador de Anchieta, destacou outro aspecto. “Viemos, a maioria que está por aqui, para curtir o carnaval do Bola Preta e, por extensão, do Rio de Janeiro, que é um dos melhores do Brasil. Queremos que este carnaval transcorra em clima de muita paz e muito amor”.
A estudante de psicologia Mariana de Oliveira, de 22 anos, também esteve presente. “O carnaval é maravilhoso moço. Eu fico esperando o ano inteiro pela festa, e venho todos os anos, principalmente no Bola Preta. Vinha quando ainda pequenininha com a minha mãe e a minha avô, mas hoje já posso vir sozinha, mas estou com meu namorado”.
Críticas sobre estrutura do evento
Apesar da alegria, foliões também apontaram problemas. A ausência de banheiros químicos foi motivo de queixa. O técnico em enfermagem Jéferson da Silva Barros, de 37 anos, relatou a dificuldade. “Da Central até aqui não tem um banheiro químico. Eles só botam [os banheiros] nas imediações dos blocos, mas a gente vem bebendo de longe, e caminhando até aqui, sem encontrar um banheiro químico pelo caminho. Um amigo já tomou uma multa [por urinar em via pública]”.
Tradição centenária mantém força no carnaval
Com mais de um século de história, o Cordão da Bola Preta manteve seu papel central no carnaval carioca. Entre alegria, diversidade e críticas à infraestrutura, o desfile de 2019 mostrou a relevância do bloco. Assim, o evento reforçou sua posição como símbolo da festa popular, reunindo gerações e diferentes perfis de foliões.




































