Na segunda-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2020, o humorista Marcelo Adnet desfilou pela escola de samba São Clemente, no Rio de Janeiro. Durante sua passagem pela Marquês de Sapucaí, Adnet surgiu com uma fantasia e em um carro alegórico com referências diretas ao presidente Jair Bolsonaro.
Referências a Bolsonaro marcam fantasia e performance
Marcelo Adnet, um dos autores do samba-enredo da São Clemente, apareceu interpretando Bolsonaro de forma caricata. A encenação incluiu bordões conhecidos do político, como “Tá ok?”, além de gestos como as flexões de braço que se tornaram uma marca durante eventos públicos do presidente.
Além disso, a bateria da escola desfilou vestida de laranja, em alusão às “candidaturas laranja” do PSL, partido ao qual Bolsonaro é filiado. O desfile também exibiu frases que circulam durante o mandato presidencial, como “A culpa é do Leonardo DiCaprio” e “Acabou a mamata”.
Escola criticou o governo com sátira
Com o samba-enredo intitulado “O Conto do Vigário”, a São Clemente levou para a avenida uma crítica bem-humorada ao governo de Jair Bolsonaro. Entre os principais temas abordados estavam as fake news, os escândalos de corrupção e o famoso “jeitinho brasileiro”.
A apresentação também fez menção a figuras como os terraplanistas e ironizou o uso de medicamentos promovidos como milagrosos. Além disso, o desfile trouxe críticas à imprensa, com destaque para a Rede Globo, alvo frequente de ataques do governo.
Segundo Marcelo Adnet, as referências à mídia estavam alinhadas ao enredo. “A imprensa, como a Rede Globo, vinha sendo atacada constantemente. Isso precisava aparecer na Sapucaí”, disse o humorista nos bastidores.
Samba-enredo contou com a participação de oito compositores
Adnet integrou a equipe de compositores do samba-enredo da escola, ao lado de outros sete artistas. O texto da música percorreu fatos históricos relacionados à política brasileira e promoveu reflexões sobre o presente.
Apesar da crítica social, o tom da apresentação buscou o humor como ferramenta principal. A proposta da São Clemente foi utilizar a irreverência como recurso para engajar o público e provocar a reflexão.
Repercussão e reação do público
O desfile da São Clemente foi recebido com entusiasmo pelo público presente na Sapucaí. Além disso, a apresentação gerou forte repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiadores do governo e críticos da gestão Bolsonaro.
Mesmo assim, a escola conseguiu chamar atenção pela forma com que levou assuntos políticos para o Carnaval. A crítica especializada também destacou a coragem da São Clemente em expor figuras do cenário nacional em um espaço de grande visibilidade.
Ao final do desfile, Marcelo Adnet comemorou o resultado. “Foi uma oportunidade de levar a sátira política para a avenida e dialogar com o público de forma direta”, afirmou o artista.
Humor e política no Carnaval
A proposta da São Clemente de misturar crítica política com o samba não foi uma novidade. No entanto, naquele ano, o tom direto contra o presidente ganhou mais destaque por conta do contexto político e da polarização no país.
Por fim, o desfile reafirmou o Carnaval como espaço legítimo de manifestação política e artística. Com humor, música e performance, a escola conseguiu levar temas relevantes para o debate popular, utilizando a cultura como instrumento de expressão.





































