“Apatia Dinossauro”, nova criação de Caio Riscado, realiza sua primeira temporada na Galeria 02 do Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, de 28 de julho a 27 de agosto, com apresentações aos sábados, domingos e segundas, sempre às 19h.
Com o intuito de falar sobre o sofrimento e sua condição inerente à vida mundana, o texto se depara com a apatia presente em muitas das relações contemporâneas. Diferentes fatores baseiam o contexto em que a trama se estabelece: a problemática do individualismo na construção de uma sociedade plural – práticas de indiferença às questões coletivas, de sujeitos com identidades cada vez mais fragmentadas -; a busca utópica por uma vida sem dor (de caráter praticamente asséptico), como se a não expressão e o não reconhecimento de sentimentos pudesse elevar o plano de vida para uma condição perfeita, ideal; e as novas formas de interação e comunicação, que por muitas vezes permitem um compartilhamento mais rápido de informações, mas que provocam também a virtualização, o afastamento, em muitas trocas sociais.
No espetáculo, A, B e C – respectivamente interpretadas por Breno Motta, Fred Araujo e Julia Deccache – se encontram através da proposta de um programa de desligamento. Uma promessa de eliminar a angústia através da reprogramação do sujeito. Algo capaz de possibilitar para as pessoas a seleção do que sentir, lembrar, e de como ser afetado ou não pelos agentes externos ao indivíduo.
Apesar da abordagem tecnológica, a obra não se aproxima muito de uma condição futurista generalizada. A proposta caminha mais no sentido de tratar, dentro do âmbito da ficção, sobre uma metáfora permeada por vivências da atualidade. A dramaturgia de Apatia Dinossauro mistura conceitos da filosofia, da antropologia e dos estudos sobre inteligência artificial para lançar a pergunta: uma vida sem sofrimento ainda poderia ser chamada de vida? Ou então: se sofrer faz parte da vida, porque há tanta dificuldade para se lidar com a dor?
“Apatia Dinossauro fala do mal estar da contemporaneidade, tocando em temas como velocidade, ansiedade, consumo e sofrimento. Além disso, é também uma história de amor interrompida, um encontro fora de hora – como tudo aquilo que acontece e mexe com a gente porque foge do nosso controle. Para montar o espetáculo, que trabalha no título uma espécie de paradoxo, gostamos de pensar que nós somos os dinossauros, fugindo da apatia que frequentemente nos invade”, conta Caio, sobre o projeto.

“Apatia Dinossauro”
Temporada: de 28 de julho a 27 de agosto
Dias e Horários: Sábados, domingos e segundas, às 19h
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – Galeria 02 – Rua Humaitá, 163 – Humaitá
Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia)
Informações: (21) 2535-3927
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Capacidade: 20 lugares

































