A companhia paulistana Teatro do Incêndio apresenta, no dia 15 de julho (quarta-feira), o espetáculo ‘Pano de Boca’, obra emblemática de Fauzi Arap (1938-2013) escrita 40 anos atrás, no Teatro do Sesc Sorocaba, às 20 horas. Com direção de Marcelo Marcus Fonseca, a peça faz uma reflexão poética sobre o teatro e retrata a implosão de um grupo de teatro após seus integrantes ultrapassarem todos os limites entre arte e vida.
A montagem tem participação especial de José Celso Martinez Corrê dando voz a texto da escritora russa Helena Blavatsky sobre o autoconhecimento e a libertação interior. “Pano de Boca”, que teve sua última encenação em 1976, foi autorizada pelo autor, antes de sua morte, para montagem do diretor Marcelo Marcus Fonseca. A encenação também faz uma “releitura” do cenário e dos figurinos criados por Flávio Império (1935-1985), homenageando duas das maiores personalidades do teatro brasileiro, cuja parceria criativa é considerada inigualável nas artes cênicas.
Fonseca explica que a encenação questiona o que é o teatro e qual a sua essência, tanto do ponto vista real quanto do ponto de vista do personagem. O debate gerado sobre a criação humana, a relação entre divino e terreno, trata da difícil tarefa de manter o equilíbrio em um mundo dominado por valores distorcidos.
“Pano de Boca traz a única discussão oportuna nos tempos atuais sobre a criação, o teatro e a espiritualidade em um tempo onde a esquizofrenia é gerada pela velocidade, atirando o homem no abismo da disputa pelo sucesso, do isolamento, da poluição sonora, da intolerância”. E completa o diretor: “Acredito que para o teatro atual, para a juventude que procura o teatro, para nós artistas, que lutamos pela sobrevivência de um teatro mais sagrado que político-partidário, esse texto é urgente e necessário, quando toca na ferida com a delicadeza de uma Clarisse Lispector”.
A história
No palco, estão Gabriela Morato (magra), Marcelo Marcus Fonseca (Pagão), Daniel Ortega (Paulo), Josemir Kowalick (Zeca), Francisco da Silva (Segundo), Gustavo Oliveira (Marco), Rebeca Ristoff (Ana), Victor Dallmann (Pedro) e Ana Beatriz Pereira (Tássia) como personagens de um em um plano não realista, a peça trabalha com a questão do conceito de criação e, mesmo em seu plano realista, ela depende do metafísico para ser entendida.
O texto de Fauzi Arap quer aproximar o expectador da cabeça do autor no momento da criação. Ele, portanto, faz questão de tratar o teatro como alquimia: “Pano de Boca” é bem mais uma experiência do que simplesmente uma história.
O texto é estruturado em três planos. No primeiro, dois personagens indefinidos, palhaços inacabados, reclamam vida dentro da cabeça de um autor em crise. No segundo, uma atriz (Gabriela Morato) dialoga com alguém que não se vê sobre os acontecimentos que motivaram a desintegração de um grupo. E no terceiro, o próprio grupo tenta reabrir o teatro abandonado em uma reunião convocada por alguém não identificado. A peça se funde em uma discussão sobre a criação, a exclusão e o sagrado no teatro. Os atores transitam por linguagens diferentes como o realismo, o circo e um quase surrealismo, diferenciando os três planos aparentemente distintos do texto, que fluem para um caminho único.
Os palhaços – Pagão (Marcelo Marcus Fonseca) e Segundo (Francisco da Silva) – são como duas forças lutando para existir como personagem, que discutem com o autor. “Eis a metáfora: a crise do autor na criação e a discussão com Deus, com o poder criativo. O autor, que nunca aparece em cena, tenta reconstruir algo, enquanto todos os personagens da peça estão diante de uma esfinge, que pode ser um mistério maior do teatro, da vida. Ela pode simbolizar o medo, que pode ser o mero medo de existir”, argumenta o diretor.
O cenário (de Marcelo Marcus Fonseca) e o figurino (de Gabriela Morato) foram livremente inspirados nos originais de Flávio Império, da montagem de Fauzi Arap, de 1976. Marcelo e Gabriela mergulharam em desenhos, fotos e anotações da época para “recriar” a estética de Império. O figurino é atemporal; em modelos, tons e cores que harmonizam com estado de espírito dos personagens.
“Pano de Boca”
Com Cia. Teatro do Incêndio
Data e horário: Dia 15 de julho, quarta, às 20h
Local: Sesc Sorocaba – Rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade – São Paulo
Ingressos: De R$ 5 a R$ 17,00
Classificação: 12 anos
Informações: (15) 3332-9933 ou sescsp.org.br/sorocaba
































