
O canal Curta! exibe, entre o fim de dezembro e o início de janeiro, uma programação dedicada à música, à cultura e a temas sociais. Nesse contexto, dois documentários ganham destaque na grade: “Miúcha: A Voz da Bossa Nova” e “Incompatível Com a Vida”. Ambos integram datas temáticas do canal e também estão disponíveis no CurtaOn – Clube de Documentários.
Enquanto um revisita a trajetória de uma cantora central para a música brasileira, o outro reúne relatos de mulheres que enfrentaram a interrupção da gravidez após diagnósticos incompatíveis com a vida fetal. Assim, a programação propõe reflexões a partir de experiências pessoais registradas em audiovisual.
‘Miúcha: A Voz da Bossa Nova’ resgata memórias pessoais e musicais
O documentário Miúcha: A Voz da Bossa Nova vai ao ar no Curta! no dia temático Segundas da Música, em 29 de dezembro, às 22h. O filme foi viabilizado pelo canal por meio do Fundo Setorial do Audiovisual.
Dirigido por Liliane Mutti, o longa se constrói a partir de um acervo composto por imagens familiares e gravações em fita cassete. Além disso, cartas e diários de Miúcha ganham leitura na voz da sobrinha, Silvia Buarque.
Desde o início, o documentário acompanha a infância da artista em um ambiente marcado por encontros artísticos e intelectuais. Ao mesmo tempo, o filme contextualiza as referências culturais que influenciaram sua formação. Dessa forma, a narrativa apresenta o surgimento do interesse pela música e pela Bossa Nova.
O impacto da Bossa Nova na vida de Miúcha
Com imagens gravadas pela própria cantora, o documentário mostra como Miúcha se aproximou da Bossa Nova. Nesse sentido, os registros revelam o impacto daquele estilo musical em sua escuta cotidiana. Assim, o filme recupera memórias ligadas aos primeiros contatos com esse movimento.
Em seus escritos, a artista descreve esse momento de descoberta. “Posso dizer que fui uma das pessoas que foram absolutamente seduzidas pela Bossa Nova, por aquele som. Parece que, de repente, o cinema em branco e preto ficou colorido”, registra em seu diário.
Além disso, o documentário apresenta os primeiros encontros com João Gilberto, inserindo esses episódios no contexto da cena musical da época. Com isso, a produção articula vida pessoal e história da música brasileira.
Casamento, convivência e deslocamentos internacionais
Ao longo da narrativa, o filme aborda o relacionamento entre Miúcha e João Gilberto. Para isso, utiliza imagens do casamento, além de registros do convívio familiar. Inclusive, cenas mostram momentos ao lado de Sérgio Buarque de Hollanda.
Em seguida, o documentário acompanha a vida cotidiana do casal em cidades como Paris, México e Nova York. Ao mesmo tempo, imagens ao lado da filha Bebel ajudam a contextualizar mudanças afetivas e familiares. Dessa maneira, o filme registra transformações nos sentimentos da cantora ao longo dos anos.
Em um dos trechos mais diretos, Miúcha relata o desgaste vivido na relação. “Não dá para curtir essa posição que João me bota de tomadora de conta, de resolvedora de todos os problemas. E ele consegue virar as coisas de modo que eu seja a culpada de tudo. Estou ficando tão deprimida e cansada como se tivesse 200 anos”, escreve.
Retomada da carreira e novos caminhos musicais
Após o fim do casamento, o documentário acompanha o processo de retomada da liberdade pessoal e profissional. Nesse momento, bastidores de gravações de canções conhecidas da música brasileira ganham espaço na narrativa.
Além disso, o filme apresenta trabalhos desenvolvidos ao lado do irmão Chico Buarque e de Tom Jobim. Assim, o documentário registra o início de uma fase marcada pela carreira solo e pela ampliação de experiências musicais.
Em cartas pessoais, Miúcha também reflete sobre vida coletiva e relações sociais. “Estou de cabeça viradíssima. Já pensou a society feminista. Aliás, no finzinho dos livros, na hora de apresentar soluções, todo mundo acaba lutando por um tipo qualquer de comunidade”, escreve.
‘Incompatível Com a Vida’ parte do relato pessoal para o coletivo
O documentário “Incompatível Com a Vida”, dirigido por Eliza Capai, será exibido no Curta! no dia temático “Sextas de História & Sociedade”, em 2 de janeiro, às 22h.
A produção tem início a partir da experiência pessoal da diretora, que registrou em vídeo o período de sua gestação. No entanto, após o diagnóstico de “malformação fetal incompatível com a vida”, o projeto tomou outro rumo. Assim, o filme passou a incorporar relatos de outras mulheres brasileiras.
Relatos femininos e dificuldades no Brasil
Alana, Laís, Isabela, Priscila, Shuane e Tainah compartilham suas trajetórias ao longo do documentário. Primeiramente, elas relatam a descoberta da gravidez. Em seguida, recordam o impacto do diagnóstico. Por fim, descrevem a busca por um desfecho considerado mais respeitoso.
Por morar em Portugal, Eliza Capai conseguiu interromper a gravidez legalmente. Entretanto, as entrevistadas relatam dificuldades enfrentadas no Brasil, mesmo em casos semelhantes. Dessa forma, o documentário amplia o debate para políticas públicas relacionadas ao aborto.
Obstetrícia, luto e políticas públicas
Ao longo do filme, a diretora aborda o panorama da obstetrícia no país em situações de perda e luto. Nesse contexto, o documentário traz à tona tabus e questiona a forma como essas mulheres são tratadas.
Sobre o processo de realização, Eliza Capai explica a mudança de abordagem. “Quando recebi o diagnóstico de ‘malformação fetal incompatível com a vida’ e senti a urgência de debater esse tema em filme, o Curta! aceitou a aventura de mudarmos radicalmente nossa abordagem”, afirma.
Programação temática amplia o alcance dos documentários
Além dos dois longas, o Curta! exibe, ao longo da semana, séries e documentários dentro de faixas temáticas. Entre eles estão “Raiz Arte Afro-Brasileira”, produções sobre Salvador Dalí, dança, ciência do sono, música brasileira e geopolítica.
Todos os conteúdos exibidos na TV também estão disponíveis no CurtaOn – Clube de Documentários, acessível pelo Prime Video Channels, Claro TV+ e pelo site oficial da plataforma.
































