Filme sobre Loyola Brandão tem estreia mundial no Festival do Rio

Obra dirigida por André Brandão será exibida na Première Brasil Retratos

Documentário 'Não Sei Viver Sem Palavras' mostra trajetória de Ignácio de Loyola Brandão (Foto: Divulgação/Bretz Filmes)
Documentário 'Não Sei Viver Sem Palavras' mostra trajetória de Ignácio de Loyola Brandão (Foto: Divulgação/Bretz Filmes)
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O escritor Ignácio de Loyola Brandão terá sua vida e obra retratadas no documentário “Não Sei Viver Sem Palavras”, dirigido por seu filho, o cineasta e fotógrafo André Brandão. O longa será exibido pela primeira vez no Festival do Rio, que acontece de 2 a 12 de outubro de 2025, dentro da mostra Première Brasil Retratos. A produção é assinada pela andré+ e Prosperidade Content, com distribuição da Bretz Filmes.

A origem do projeto durante a pandemia

A ideia do filme surgiu durante a pandemia, quando André voltou a morar com o pai. O diretor começou a registrar momentos cotidianos, o que deu origem ao material inicial do documentário. Segundo ele, o processo foi simples: “O filme é muito caseiro, feito a poucas mãos. Pegávamos uma câmera e um tripé e íamos para algum lugar com ele para fazer uma entrevista. Fizemos oito entrevistas de duas a três horas cada”.

As gravações ocorreram em locais que marcaram a trajetória do escritor, como a casa onde mora, a Praça Roosevelt em São Paulo, a estação ferroviária de Araraquara e a Biblioteca Municipal da cidade.

O acervo pessoal do escritor

Ignácio mantém um arquivo organizado com caixas e envelopes que reúnem fotos, postais, programas de peças, exposições e museus. “A maioria dos envelopes tem fotos, mas tem também uma boa quantidade com cartões postais, programas de peças, de museus, exposições etc. E cada envelope tem um texto escrito do lado de fora, explicando, em detalhes, o que tem lá dentro”, contou André.

Além desse material, o cineasta encontrou 38 rolos de Super-8 gravados por Loyola na década de 1970. As imagens trazem registros da família, de cidades como São Paulo, Araraquara e Berlim, além do nascimento de André.

Relação pessoal transformada em cinema

Durante a pesquisa, o diretor também resgatou textos inéditos. Entre eles está o conto “A Montanha Mágica – O Nascimento de André”, escrito por Loyola na época em que o filho nasceu. Outras descobertas foram cartas enviadas ao cineasta enquanto ele viveu fora do Brasil, entre 1991 e 1997. Parte desse material foi inserida no filme, narrada tanto por André quanto pelo próprio escritor.

A construção coletiva do longa

Embora tenha caráter íntimo, o documentário também contou com a colaboração de outros profissionais. André dividiu a direção com Ricardo Carioba e o roteiro foi desenvolvido em parceria com André Collazzo e Vivian Brito. A montagem ficou a cargo de Mari Moraga.

“O ponto mais importante desse olhar de fora foi encontrar o equilíbrio de qual deveria ser o tamanho e o tom da minha presença no filme”, explicou o diretor. Ele destacou que a proposta era focar na vida e obra de Loyola, mas sem ignorar o fato de se tratar também de uma narrativa de filho para pai.

Um filme de memória e herança

O projeto reforçou ainda mais a proximidade entre André e Ignácio. O diretor afirmou: “Sinto que esse filme de fato também é um pouco dele. O fato de que ele sempre quis fazer um filme, mas nunca fez, e nesse filme, além de personagem, ele também filmou uma parte importante do material (o Super-8), e o texto é inteiro dele, sejam as entrevistas, sejam os trechos de livros, faz com que esse filme seja também em parte dele”.

André descreveu a obra como uma simbiose entre gerações, ressaltando que se trata do seu primeiro longa, mas que parte de textos e imagens criadas pelo pai.

Ignácio de Loyola Brandão e sua trajetória

Nascido em Araraquara em 1936, Loyola é autor de romances, crônicas, peças teatrais, livros infantojuvenis, biografias e relatos de viagens. Sua obra ocupa lugar de destaque na literatura brasileira contemporânea, e o documentário oferece um panorama dessa produção, apoiado tanto em imagens de arquivo quanto em depoimentos atuais.

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