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‘O Lugar Mais Seguro do Mundo’: Documentário sobre tragédia em Mariana é exibido no festival de Vancouver

A obra é dirigida por Aline Lata (MyMama Entertainment) e Helena Wolfenson. A exibição ocorre dia 15 de setembro.

Cena do documentário
Cena do documentário "O Melhor Lugar do Mundo" (Foto: Divulgação)

O documentário brasileiro “O Lugar Mais Seguro do Mundo” está ganhando destaque internacional ao ser selecionado para exibição no Vancouver Latin America Film Festival. Dirigido por Aline Lata e Helena Wolfenson, o filme lança luz sobre as devastadoras consequências da tragédia que assolou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), há oito anos, quando a barragem do Fundão se rompeu, desencadeando um dos piores desastres socioambientais da história do Brasil.

A narrativa do documentário gira em torno da vida de Marlon, um jovem cuja existência foi drasticamente transformada ao se tornar vítima da tragédia que se originou do rompimento da barragem de rejeitos de minério. Marlon foi forçado a abandonar sua vida no campo e se estabelecer na periferia da cidade, onde teve que lidar com novos conflitos e testemunhar a repetição de outra tragédia relacionada à mineração no país. O filme expõe o descaso e a injustiça que persistem no Brasil.

O desastre de Bento Rodrigues, que ocorreu em 2015, resultou no despejo de 55 milhões de metros cúbicos de lama tóxica, destruindo o distrito e tirando a vida de 19 pessoas, além de desalojar mais de 600 moradores. O Rio Doce, um dos mais importantes da região, também foi devastado, com o fluxo de lama percorrendo mais de 800 quilômetros e afetando 39 municípios em Minas Gerais e Espírito Santo.

O filme não apenas narra essa tragédia humana e ambiental, mas também lança um importante questionamento sobre a segurança das barragens de rejeitos de minério no Brasil. Segundo Helena Wolfenson, uma das cineastas por trás do projeto, existem mais de 150 dessas barragens no país com risco de rompimento. Ela critica a negligência das empresas e do governo, que muitas vezes não aplicam punições adequadas.

Aline Lata enfatiza a necessidade de políticas públicas que previnam futuras tragédias e de justiça para aqueles afetados. O filme tem recebido reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio Canon do Júri de Melhor Filme Internacional no festival Doclisboa em sua estreia mundial. Além disso, foi selecionado para outros festivais prestigiados, como o Festival de Biarritz, FIDBA, Festival de Firenze e o CineOP, onde estreou no Brasil.

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