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‘Retorno a Buenos Aires’ estreia em Veneza e disputa o Leão de Ouro

Filme de Marco Bechis aborda memória, justiça e sobrevivência durante a ditadura

Produtores André Ristum, Cibele Amaral e Patrick de Jongh participam da estreia 'Retorno a Buenos Aires' no Festival de Veneza (Foto: Divulgação)
Produtores André Ristum, Cibele Amaral e Patrick de Jongh participam da estreia 'Retorno a Buenos Aires' no Festival de Veneza (Foto: Divulgação)
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A coprodução entre Itália e Brasil “Retorno a Buenos Aires” estreou no dia 11 no Festival de Veneza. Dirigido por Marco Bechis, o filme conta com a participação de profissionais brasileiros na produção e no elenco. O longa disputa o Leão de Ouro, principal prêmio do evento.

Os produtores Patrick de Jongh, Cibele Amaral e André Ristum participaram da estreia em Veneza. Além deles, os atores Paula Cohen e Eduardo Hoy representaram o Brasil no photocall e no tapete vermelho do longa-metragem.

Adriano Giannini protagoniza a produção. A 34 Filmes produz o longa, enquanto a Paris Filmes responde pela distribuição no Brasil. A coprodução reúne ainda as empresas italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.

‘Retorno a Buenos Aires’ acompanha sobrevivente da ditadura argentina

A trama acompanha Mariano Guerra, interpretado por Adriano Giannini. O personagem é um médico italiano que retorna à Argentina depois de 33 anos. Ele precisa depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram e torturaram durante a ditadura militar.

A história se passa em Buenos Aires, em 2008. Ao retornar ao país, Mariano encontra outros sobreviventes do período. O Ministério da Justiça hospeda o grupo enquanto todos aguardam seus depoimentos.

Nesse período, Mariano reencontra pessoas com quem compartilhou o cativeiro. Os encontros e os testemunhos retomam acontecimentos que permaneceram sem resolução durante décadas. O personagem também precisa lidar com sua condição de sobrevivente.

Paula Cohen interpreta a juíza Desideria Losada. Já Eduardo Hoy vive a versão jovem de Mariano Guerra. O elenco também reúne Ana Celentano, Veronica Gerez, Olivia Nuss, Adrian Fondari, Marcelo Chaparro, Vijaya Bechis Boll, Marcela Serli e Maria Layla Fernandez.

‘Retorno a Buenos Aires’ teve filmagens no Brasil e na Itália

A produção passou por três meses de pré-produção. Em seguida, a equipe realizou quatro semanas de filmagens no Brasil, em Porto Alegre. O projeto também teve mais três semanas de gravações em Turim, no norte da Itália.

A equipe contou com a participação de técnicos brasileiros. Eduardo Antunes trabalhou na direção de arte. Alessandra Tosi atuou na produção de elenco. Coca Serpa ficou entre os responsáveis pelo figurino. André Ristum e Patrick de Jongh participaram como produtores executivos. Beto Rodrigues trabalhou como line producer.

Marco Bechis assina a direção. Ele também escreveu o argumento e o roteiro em colaboração com Vijaya Bechis Boll. Fabrizio La Palombara responde pela direção de fotografia. Caterina Giargia atua como production designer. Jacopo Quadri e Nicolò Tettamanti assinam a montagem. Guglielmo Diana criou a música original.

Diretor relaciona ‘Retorno a Buenos Aires’ à própria trajetória

A história do filme mantém relação com a trajetória de Marco Bechis. O diretor foi preso político durante a ditadura argentina. Essa experiência também aparece em sua filmografia.

O encerramento das filmagens coincidiu com os 50 anos do início da ditadura na Argentina, em março de 1976. A produção aborda temas como memória, justiça e sobrevivência.

“Com ‘Retorno a Buenos Aires’, volto à Argentina 50 anos depois. Volto com uma história que não é a minha, mas que nasce de uma ferida que conheço. Eu também fui sequestrado durante a ditadura argentina, mas Mariano não sou eu. Escolhi a ficção porque, às vezes, ela é a única forma de se aproximar de uma verdade que a memória, sozinha, não consegue contar”, afirma Marco Bechis.

O diretor também explica que a questão da sobrevivência acompanha sua relação com a história.

“Durante muitos anos pensei que o cinema tivesse me libertado dessa pergunta. Percebi que não era assim. Há muitos anos uma questão me acompanha: o que significa sobreviver? Não apenas salvar-se, mas continuar vivendo quando outros não puderam fazê-lo.”

Segundo Bechis, o retorno do protagonista à Argentina permite abordar a relação entre passado e presente.

“Mariano retorna a Buenos Aires para depor em um julgamento. Por meio dele, procurei contar esse momento em que o passado volta a ocupar o presente. Busquei uma direção essencial, sem explicar nem julgar. Interessavam-me os silêncios, os rostos, o tempo da espera, os lugares que conservam as marcas do que aconteceu. No fundo, este filme fala de uma única coisa: da culpa do sobrevivente, que persiste”.

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