A Companhia Ensaio Aberto apresenta o espetáculo “Olga” a partir de 16 de agosto, no Teatro Vianinha, no Armazém da Utopia, na Região Portuária do Rio de Janeiro. Com direção de Luiz Fernando Lobo, a montagem revive a trajetória de Olga Benário Prestes, militante comunista extraditada grávida para a Alemanha nazista, em 1936, por ordem de Getúlio Vargas. As apresentações seguem até 29 de setembro, às sextas, sábados, domingos e segundas, sempre às 20h.
‘Olga’ e o resgate da memória histórica
A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo surgiu após extensa pesquisa em arquivos brasileiros, europeus e americanos. Além disso, ele analisou documentos primários para confrontar versões oficiais e recuperar informações omitidas. “Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos”, afirma o diretor.
O espetáculo segue a tradição do teatro documentário, cujos precursores incluem Piscator e Peter Weiss. Desse modo, a encenação aponta contradições e lacunas na narrativa oficial sobre a história política do Brasil.
Trajetória de Olga Benário Prestes
Nascida em Munique, em 1908, Olga Benário ingressou no movimento comunista aos 16 anos. Logo depois, recebeu treinamento como agente do Comintern em Moscou e, em missão política, veio ao Brasil nos anos 1930 com Luiz Carlos Prestes. Em 1936, a polícia prendeu o casal no Rio de Janeiro e deportou Olga, então com sete meses de gravidez, para a Alemanha nazista.
No campo de concentração de Bernburg, em 1942, ela morreu em uma câmara de gás. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma mobilização internacional liderada por Maria Leocádia Prestes. “Sou filha da solidariedade internacional”, afirma Anita.
Contexto político e importância da encenação
O diretor ressalta que o levante de 1935 foi o primeiro ato armado contra o fascismo no mundo. Por isso, ele observa que a história oficial brasileira omitiu o papel dos revolucionários. “O esquecimento permite a impunidade e a perpetuação de crimes”, declara.
Além disso, a peça destaca a ausência de punição para responsáveis por torturas e deportações entre 1935 e 1937. A montagem busca evitar, como alertou Walter Benjamin, “a segunda morte das vítimas do passado”.
Elenco e equipe de criação
O elenco reúne Tuca Moraes, que interpreta Olga, e Ana Clara Assunção, Bibi Dullens, Eduardo Cardoso, Gilberto Miranda, Grégori Eckert, Leonardo Hinckel, Luiz Fernando Lobo, Mariana Pompeu, Mateus Pitanga, Michael Di’Martino, Rossana Rússia, Thaise Oliveira e Uriel Dames.
A equipe criativa inclui J.C. Serroni (cenografia), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurino), Cesar de Ramires (iluminação), Felipe Radicetti (direção musical e trilha original) e Aninha Barros (produção executiva). Assim, o trabalho coletivo contribui para a construção da narrativa.
Armazém da Utopia e comemorações
“Olga” abre as comemorações de 15 anos da ocupação do Armazém da Utopia, espaço cultural que abriga o Teatro Vianinha. A escolha do local é simbólica, já que foi do porto do Rio de Janeiro que Olga partiu no navio La Coruña para a Alemanha.
Serviço
Temporada: 16 de agosto a 29 de setembro
Local: Teatro Vianinha | Armazém da Utopia | Região Portuária do Rio de Janeiro
Horário: sextas, sábados, domingos e segundas, às 20h
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) – www.sympla.com.br/armazemdautopia
Classificação: 14 anos | Duração: 70 minutos | Lotação: 120 lugares
Sessão com Libras: 18 de agosto
Grupos: agendamento via WhatsApp (21) 98909-2400
Sessões gratuitas: cinco apresentações pelo Festival Em Boa Companhia – Termo de Fomento/FUNARTE
































