'Muitos Homens Num Só': inspiração em João do Rio e Hitchcock

Em seu primeiro longa de ficção, a diretora Mini Kerti teve a coragem de trazer para as telas uma história de amor e ação no Rio de Janeiro do início do século 20

“Muitos Homens Num Só”, dirigido por Mini Kerti e protagonizado pelos atores Vladmir Brichta e Alice Braga, é uma das estreias desta semana nos cinemas brasileiros. Em seu primeiro longa de ficção, a diretora Mini Kerti teve a coragem de trazer para as telas um projeto que nasceu e amadureceu ao longo de dez anos: contar uma história de amor e ação no Rio de Janeiro do início do século 20.

Apaixonada pela obra de João do Rio, a cineasta contou durante a coletiva de imprensa de “Muitos Homens Num Só” os desafios de filmar um longa de época. “Realmente foi muito ousado da minha parte fazer um filme de época logo de estreia. Todos aconselham você a fazer uma produção barata em um quarto, por exemplo, para o seu primeiro filme”, assume Mini Kerti.

O filme “Muitos Homens Num Só” é baseado no livro “Memórias de um Rato de Hotel”, de João do Rio, que narra a história real de um ladrão sedutor que atuava no Rio de Janeiro no início do século 20. Ano passado, o longa ganhou dez prêmios, incluindo de melhor filme, direção, ator para Vladimir Brichta e atriz para Alice Braga no Festival de Cinema de Pernambuco – Cine PE Festival Audiovisual.

Foto: Daniela Nader/Divulgação

“Li ‘Memórias de um Rato de Hotel’ e fiquei encantada com o personagem do Dr. Antônio, um ladrão de hotéis que parecia como aqueles ladrões românticos e sedutores de antigamente. Lembrei imediatamente dos filmes de Ernst Lubitsch (Ladrão de Alcova, 1932) e Alfred Hitchcock (Ladrão de Casaca, 1955)”, conta a cineasta.

Mini também revelou que o filme foi inspirado em três histórias distintas. A parte do ladrão vivido por Vladimir Brichta foi inspirada no verdadeiro Dr. Antônio, retratado no livro ‘Memórias de um Rato de Hotel’, de João do Rio. Já os personagens de Eva (Alice Braga) e de Jorge (Pedro Brício) saíram de uma peça de João do Rio. Além da figura de Félix Pacheco (personagem de Caio Blat), que saiu da vida real e quem João do Rio conheceu pessoalmente.

O filme teve um orçamento baixo em torno dos 4 milhões de reais, metade deste valor utilizado somente na pós-produção.