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‘Tudo é Tempo’ estreia na mostra competitiva do Festival de Brasília

Documentário de Marcos Guttmann terá estreia mundial em 14 de setembro no Cine Brasília

'Tudo é Tempo' acompanha quatro brasileiros entre 2002 e 2022 (Foto: Divulgação)
'Tudo é Tempo' acompanha quatro brasileiros entre 2002 e 2022 (Foto: Divulgação)
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O documentário “Tudo é Tempo”, dirigido, escrito e produzido por Marcos Guttmann, terá estreia mundial na Mostra Competitiva do Festival de Brasília. A primeira sessão ocorre em 14 de setembro, às 21h, no Cine Brasília. O diretor estará presente ao lado do montador Arthur Frazão para apresentar o longa.

O filme acompanha quatro brasileiros durante 20 anos, entre 2002 e 2022. Carlos Eduardo Ibrahim, Fernando Pereira, Heber Cunha e Cristiane Magalhães Rosa têm em comum a mesma seção eleitoral no Rio de Janeiro.

Ao longo desse período, o documentário registra mudanças nas vidas e nas posições dos participantes. As três eleições de Lula à Presidência do Brasil aparecem como pano de fundo das trajetórias.

Marcos Guttmann também participa do documentário. Além de diretor e roteirista, ele atua como narrador e aparece presencialmente em alguns momentos.

‘Tudo é Tempo’ acompanha quatro eleitores durante duas décadas

Carlos Eduardo Ibrahim é filho de José Ibrahim, fundador do PT afastado de Lula. Ele acompanhou o distanciamento político do pai e votou no PSDB até 2014. Atualmente, trabalha como corretor de imóveis. É divorciado e pai de um filho com autismo.

Cristiane Magalhães Rosa é médica infectologista. Desde jovem, votava no PSDB. No entanto, migrou para o PT em 2018. Nos últimos anos, passou por outra mudança política e chegou a se declarar “revolucionária”.

Fernando Pereira mora na Cidade de Deus. Ele votou em Lula e Dilma antes de apoiar Bolsonaro em 2018. Trabalhou durante a vida como motorista e também atuou como puxador de samba nas horas vagas. Atualmente, é empreendedor local e realizou o antigo sonho de viajar de avião com a família.

Heber Cunha é escritor e poeta. Ele vive da venda de poesia em bares e passou parte da vida entre comunidades alternativas. Eleitor histórico do PT, atualmente faz críticas a Lula.

Marcos Guttmann aborda transformação dos personagens

Segundo Marcos Guttmann, o projeto começou com a intenção de observar as transformações políticas do Brasil. No entanto, o diretor afirma que a proposta mudou ao longo dos anos.

“Entre 2002 e 2022 acompanhei a vida de quatro brasileiros, atravessando com eles o período entre a primeira e a terceira eleição de Lula. ‘Tudo é Tempo’ é o registro desse percurso compartilhado e se constrói como um ensaio sobre o que o tempo faz conosco: como reorganizar prioridades, revela contradições e transforma, silenciosamente, tanto quem está diante da câmera quanto quem a conduz.”

Guttmann conta que retomou o material em 2025. Nesse momento, identificou uma mudança no eixo narrativo do documentário.

“Ao revisitar o material em 2025, compreendi que o Brasil era apenas o cenário. A força do filme estava no amadurecimento e nas contradições de cada personagem, e na maneira como o tempo reconfigura convicções. A política tornou-se pano de fundo; o íntimo veio para o primeiro plano.”

Para o diretor, as duas décadas também modificaram sua própria relação com o projeto.

“Após duas décadas de convivência, a transformação mais profunda revelou-se pessoal — minha e dos personagens. O filme converte a passagem dos anos em matéria narrativa, expondo a ação silenciosa do tempo sobre cada um de nós. Afinal, como diz Heber Cunha, um dos personagens no filme, ‘quem não se contradiz já está realizado’.”

‘Tudo é Tempo’ terá duas sessões no Festival de Brasília

A estreia mundial de “Tudo é Tempo” acontece em 14 de setembro, às 21h, no Cine Brasília. Marcos Guttmann estará presente na sessão. O Festival de Brasília também exibe o documentário no dia 15 de setembro, às 10h, no Cine Cultura Liberty Mall.

Com duração de 85 minutos, o filme tem montagem de Arthur Frazão. Maritza Caneca e Markão Oliveira assinam a fotografia. Álvaro Correia e Juca Oliveira respondem pelo som direto. Vinicius Leal e Jesse Marmo fizeram a edição de som e a mixagem. Jefferson Plácido assina a música.

A Solar Filmes produziu o documentário. A produção contou com investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), administrados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), além do apoio da EBC.

Filme registra mudanças na vida de quatro eleitores durante duas décadas
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